Nos “Dias de Março”

Estive na Cooperativa

Éramos mais de 30. Todos com cara de poetas, de prosadores de atores de teatro. O resto, 1% eram da cultura.

Todos colaboraram. Alguns, porque iam gostando do que ouviam, batiam palmas, puxando por “todos”. 1% puxavam para a cultura.

Fernando Tavares Marques foi o melhor, digo, o primeiro.

Lançou o frenesim, o entusiamo foi unanime.

As palmas ainda ressoavam e já o Carlos Alberto Correia no “palco” recitava. Coisas dele, pois então.

As palmas soltavam-se e o “passarinho voava”. Só mais tarde, porque a pedido, soubemos porquê.

Mas falemos primeiro de um outro animal, um tal Barata, este do teatro. Os outros também são de teatro, oh inclemência, não sei onde os pôr. Vão para o 1% da cultura e pronto.

O Luciano deu de barato, oh maravilha, um recital muito aplaudido, sobretudo pelas mulheres “Todos os homens são maricas quando estão com gripe”, unh! Bolas, António Lobo Antunes isto não se diz, muito menos na boca do Luciano que carrega as palavras com cores tão dramáticas e fortes que ressoam na nossa mente como se fossem verdade.

O que nos valeu a todos é que a Florbela Espanca surgiu e nos encheu de amor e perdição, carnada na Maria João Quaresma.

Acalmou os desejos dos homens presentes.

Desejo (de uma sociedade diferente) que o António José Costa evidenciou com entusiasmo.

Mas voltemos atrás, porque metade de nós já tinha sido dito, mas o Daniel que não é homem para metades, chamou o Luciano e em corpo inteiro completaram o poema. Metade com metade sempre dá um inteiro, que era o tempo (inteiro) que os ficávamos a ouvir.

O dia inteiro ficávamos a ouvir a Lina Soares.

Oh “prima” cantas cada vez melhor. E a escrever, e a dizer o que tão bem escreves? Não se pode ser tão perfeito, senão obrigam-nos a repetir e a cantar o que ainda não tinha sido cantado. Brázia, obrigado.

Depois como a Lina não está sozinha cantou e encantou em grupo – Manuel Manços e Luís Reis subiram ao topo, ao palco.

Bom, e lá esteve o Alentejo, com as suas searas, o seu céu, mas também o seu abandono.

O passarinho que ainda voava, pudera, chegou perto das 4 da madrugada, refugiando-se na janela da sua amada.

E amadas e aplaudidas foram a Maria da Conceição e a Lucinda Santos. Voltem, voltem sempre, gostamos de vocês.

Depois “vimos gente diferente e na cor”. Foi a ex. professora Moçambicana, a Teodora (não escrevo o apelido porque me soou a batuque, tu, tu, tu). Momento maravilhoso. Não vou esquecer a minha meninice, não.

Creio ter mencionado todos os que “disseram”.

Como a Lina cantou “há nomes que não se esquecem, há outros que já não nos lembramos”. A esses as minhas sinceras desculpas.

Neste Encontro a palavra soltou-se, a mulher esteve presente, o homem “adoeceu”, o amor cantou-se (e o amor pelo Alentejo também). Cantou-se poesia.

Todos fizeram o seu melhor. O melhor de alguns foi bater palmas. Fizeram-no com alegria e satisfação.

Até se fez teatro, fora de tempo, é verdade, mas foi só um dia depois. Para esquecer isso bebeu-se moscatel aqui de Setúbal, embora o Manços tenha apenas pedido “uma gotinha de água”.

Ficámos satisfeitos com a volta do passarinho

Acabámos nostálgicos. A culpa foi do fado.

Acabámos mesmo, mesmo, com o “Hino ao Barreiro”.

Não esqueço que toda a preparação e coordenação deste “Encontro com os dias de março” foi do Armindo Fernandes.

Obrigado a todos por esta tarde.

As chuvas dos próximos dias já me trazem a saudade deste Encontro. Quero mais.

Nuno Soares