OS NOVOS DESAFIOS DO ASSOCIATIVISMO

Conhecer o passado para agir no presente com os olhos no futuro

Uma definição de Associação poderá ser:

“União duradoura e organizada de pessoas que se propõem conjugar esforços para prossecução em comum de determinados fins” que não se traduzam em benefícios económicos para os seus associados e que não prejudiquem os direitos de outrem.

Muitos podem ser os fins das associações.

Embora discutível, as associações também podem designar um princípio ou doutrina económica.

Embora igualmente discutível, surgem associações de índole económica na Grécia Antiga (Antiguidade Clássica).

Em Roma, menos discutível, conhecem-se associações, sobretudo de índole comercial.

Na Idade Média surgem as Corporações estruturadas sobre a vida económica, logo após as invasões, persistindo até muito tarde. Lousse diz que a sociedade em finais do século XVIII se encontra organizada como uma cadeia de corporações.

Já no século XVIII, a Revolução Francesa vem ferir violentamente as associações corporativas, cuja agonia se prolonga pelo século XIX, extinguindo-se paralelamente as associações profissionais, pelo que os trabalhadores se vêm desprotegidos e isolados.

Contra este isolacionismo surgem as correntes sindicais e socialistas. Os operários que se associam, afirmam-se pela própria força de grupo, melhores defensores dos seus direitos, ou, opondo-se às conceções económicas liberais, mais fortes para exigir uma maior justiça social. Tomas Morus, com a Utopia, vem influenciar estas correntes.

Nesta trajetória, ao longo dos séculos, as associações constituem-se como grupos de pessoas organizadas num primeiro plano para a prossecução de interesses de ordem profissional e económica, social e mesmo religiosa.

Surge o cooperativismo em Inglaterra, espalhando-se energicamente por todo o mundo e legando à História da Humanidade um património social e cultural riquíssimo.

A monarquia assumiu um papel de repúdio pelas associações, defendendo que seriam perigosas para a liberdade dos indivíduos. Surgem no entanto, Associações Comerciais, de Lisboa e do Porto, em 1834, ano da abolição das associações corporativas.

Poderemos refletir que aliado ao fenómeno de aparecimento ou aumento de repressão na sociedade, os homens souberam fazer ressurgir as suas associações e, unindo-se, defender os seus interesses, tendo por base e por vontade própria (inscrição facultativa) o auxílio recíproco.

Assim foi no Barreiro, “do trato profissional e pessoal, quotidiano, entre os associativistas nasce uma família una, coesa e consciente dos lidimos direitos laborais e sociais.

Embora de ideias díspares, de que as associações são o catalizador, nasce um Barreiro novo, uma nova mentalidade barreirense, a mentalidade do saber fazer bem as coisas de interesse comunitário, sem especulação, ou seja a cultura presente que também é preciso preservar.

O Barreiro caracterizou-se enquanto terra de fraternidade e do associativismo tradicional (J.C.Proença).

Foi assim que se criaram laços de solidariedade, fraternidade e democracia, associados e dignificados pelos valores da liberdade, igualdade, responsabilidade e autonomia.

Hoje o Associativismo guarda um Passado valioso e enfrenta um Presente assinalado por ventos de mudança. As associações de hoje, têm o dever e a necessidade de preservar o seu património, que foi e é trabalho de tantos, desbravar um caminho novo e enfrentar com êxito os desafios de uma cidadania participativa de um mundo fascinantemente interativo.

As associações e os indivíduos que as formam são agentes promotores de uma melhor vivência democrática, participativa, e geradora de bens sociais e culturais, na comunidade em que estão inseridos.

“A vida associativa é, na verdade, um pilar da democratização cultural, um terreno muito específico onde se desenvolvem valores de sociabilização e atitudes criativas que contribuem para a “caracterização” da realidade de vida da Comunidade.

O movimento associativo tem de ser capaz, dentro de si mesmo, com as suas próprias forças encontrar os rumos de adaptação ás mudanças e ao fluir da história” (A.S.P. em, Fazer Associativismo).

Cada associativista, cada dirigente associativo, deve interiorizar que depende de si, do seu empenho e exemplo, a força do associativismo e que, do trabalho conjunto, depende essa mesma força geradora de novos empreendimentos.

Terá igualmente que ter a capacidade de gerar na sociedade reacções positivas às causas que o associativismo defende. Terá que estimular a participação cívica, muitas vezes em contacto direto com outros agentes que não conhece, com vista a favorecer objetivos comuns. Esta é a luta, uma luta que visa impulsionar o mundo em que vivemos, mesmo o mundo de cada indivíduo, transformando-nos também, nas nossas ideias, pensamentos e causas que defendemos.

As associações debatem-se com inúmeros problemas, alguns resultantes do próprio associativista (estes deverão deixar fora das associações as suas próprias fragilidades), ou do Meio. São no entanto crucial o empenho e a participação consciente e responsável das pessoas.

Por outro lado, o conceito de cidadania ajuda à mobilização de uma participação alargada dos cidadãos na gestão e desenvolvimento da sua cidade, possibilitando a criação de alternativas.

Esta poderá ser considerada outra “função” do dirigente associativo atual, cativar o cidadão para a cidadania participada.

Os acontecimentos no Mundo sucedem-se num ritmo surpreendente e as associações poderão assumir um papel importante na sua divulgação e reflexão junto da Comunidade. Esse papel ativo poderá funcionar como transformador da própria realidade.

Hoje, alem da vontade de cada um, as associações contam com uma importante ajuda: as novas tecnologias.

A Informática/Internet proporciona de uma maneira rápida, acessível e eficiente, a divulgação da informação e permite uma coordenação de atividades ou estratégias. O Mundo tem vindo a assistir a fenómenos organizados por grupos de indivíduos ou Comunidades que em momentos sociais críticos apelam à mobilização coletiva.  Assim, a Internet (emails, facebook, twiter, etc.), deve permitir o contato constante entre as várias associações, a divulgação das suas atividades, a divulgação dos princípios que defendem e das causas que as sustentam.

Para se atuar assertivamente, é fundamental as associações e os seus dirigentes compreenderem as transformações e as necessidades das novas sociedades.

Assim, a par da formação dos dirigentes associativos (observemos um bom exemplo levado a efeito pela Associação de Colectividades e Associações do Concelho do Barreiro no passado dia    , nos Celtas, uma ação subordinada ao tema “A Fiscalidade nas Colectividades”), a Informatica/Internet deve ser entendida no presente como uma ferramenta das Associações.

Deste modo, o futuro das Associações passa pela inovação, criatividade, precisão, clareza, mas sobretudo e sempre pela motivação dos seus dirigentes.

Manuel da Fonseca disse: “as coisas belas só pertencem a quem as ama”.

Nuno Soares