ASSOCIATIVISMO NO SECULO XXI

No início do século XIX surgiu em Portugal o denominado  Movimento Associativo.

O Movimento nasce identificando-se com os princípios da Revolução Francesa e como uma forma de fazer frente às dificuldades que se vivia no seio do Povo no acesso à cultura, à educação e ao lazer.

Em 1834 foram abolidas as corporações de artesãos o que veio fragilizar ainda mais as pessoas, que sentiam a necessidade de se unirem em torno de objectivos comuns, quer fosse a partilha da música, a aquisição de conhecimentos, a dança, a partilha de experiências profissionais, etc…etc…

O Movimento Associativo, defende e pratica valores sociais como a Solidariedade, a fraternidade, a independência, autonomia, democracia, cidadania, trabalho voluntário e até de assistência, quer ao nível da entre ajuda financeira, quer  ao nível do apoio psicológico em caso de graves crises emocionais derivadas das fracas condições de vida em que as populações viviam nessa época.

Portugal possui Associações de diversos tipos, remontando as mais antigas aos anos de 1838.

A importância do Movimento Associativo foi crescendo ao longo do século XIX, prolongou-se pelo século XX.

Aliás, o direito de “associação” segundo alguns constitucionalistas, é  um direito originário (inerente à natureza humana), e nessa medida vinha já sendo protegido no nosso ordenamento jurídico.

Com efeito, no antigo Código Civil, de 1867, o mais conhecido como o “Código de Seabra”, por referência ao seu Autor, nos artigos 359º e seguintes, eram protegidos alguns dos “direitos originários”, onde se incluía o direito de associação.

Na Constituição da República Portuguesa, constitui um direito fundamental, o direito de associação, como forma de expressão da democracia participativa.

São muito variados os direitos de participação nas decisões que directamente afectam os indivíduos ou grupos de indivíduos, consagrados na nossa Constituição.

Apesar da importância crescente do associativismo no sentido de se cumprir o principio constitucional da democracia participativa, a verdade é que hoje, o associativismo apresenta uma nova face.

As antigas estruturas deste Movimento parecem agora, em muitos casos, obsoletas face às novas tecnologias de informação, ao avanço da Internet que veio proporcionar a criação de verdadeiras redes sociais, onde as pessoas convivem, partilham experiências, imagens e informação.

Quererá isto dizer que o Associativismo tal como o conhecemos está prestes a perecer?

Creio que não.

Não existe rede social que substitua o papel de uma Associação de Teatro, por exemplo.

As Associações Musicais, igualmente são de difícil substituição pelas redes sociais da NET.

O homem é, por natureza, um ser social.

As redes sociais virtuais muito embora a sua importância não seja de desprezar dada a facilidade com que se difunde e propaga um facto, uma notícia, um evento, não excluem as outras vertentes do Associativismo. Antes pelo contrário: constituem um complemento, uma ferramenta eficaz e necessária para a divulgação dos princípios que subjazem ao Movimento Associativo.

Na senda da democracia participativa, cada vez mais se torna necessário envolver a sociedade civil na discussão e na elaboração de projectos que à própria sociedade civil dizem respeito.

O envolvimento da sociedade civil faz-se, fundamentalmente, através do movimento associativo, pois só agregadas em movimentos criados para fins específicos,  é que as populações exercem em pleno a sua cidadania, tomando parte activa nas decisões e na execução de projectos, culturais, económicos, profissionais e recreativos.

Dulce Reis